Considerado um dos mais completos do mundo, o modelo de combate ao trabalho escravo do Brasil, que já foi utilizado como referência em países da America Latina, Africa, Europa e Estados Unidos, tem sofrido com o corte de recursos e pessoal.

Entre 2015 e 2017, os recursos destinados ao combate ao trabalho escravo sofreram um corte de 15%, saindo de três milhões e trezentos para dois milhões e oitocentos, o que prejudica a execução das ações de fiscalização. O coordenador do combate ao trabalho escravo do Ministério do trabalho, Maurício Crepsky, disse que no ano passado estas ações diminuíram, o que dificultou o resgate de trabalhadores em situação de escravidão. “Aquele efeito surpresa da fiscalização não pode ser verificado. As ações que foram feitas de setembro a dezembro não tiveram o resultado esperado quando comparado ao ano anterior”, lamentou Crepsky.

Os cortes de recursos fizeram com que o Brasil chegasse ao menor número de auditores fiscais do trabalho dos últimos vinte anos. São esses fiscais que recolhem os dados que irão compor a lista suja do trabalho escravo, documento que reúne os nomes das empresas que mantêm trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Para o cientista político e conselheiro do Fundo das Nações Unidas contra o Trabalho Escravo, Leonardo Sakamoto, o corte de recursos compõe uma ação deliberada para prejudicar o combate ao trabalho escravo no Brasil. “Há uma ação efetiva no sentido de desmontá-lo, dizer ‘o país é contra o trabalho escravo’, mas reduzir as situações em que o trabalho escravo é efetivamente encontrado para que facilite-se a acumulação de lucro, a concorrência em determinados setores. O problema é que com isso o Brasil deixa de ser vitrine e passa a ser vidraça”, denunciou o conselheiro.

Ele lembrou ainda que no ano passado o Governo Federal editou uma portaria alterando o conceito de trabalho escravo. A mudança iria extinguir 90% dos processos que estavam em análise no Ministério Público do Trabalho. Após as reações contrárias, a portaria foi revogada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *