Foto: Agência Brasil

Eram 2h30 da manhã de domingo (27) quando os jovens que estavam na boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria (a 323 km de Porto Alegre), dançavam ao som da banda Gurizada Fandangueira e um dos integrantes do grupo acendeu um sinalizador para deixar a festa Agromerados mais animada.

Mas aquele princípio de show pirotécnico, de acordo com o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, acabou se tornando a provável causa do segundo maior  incêndio do Brasil. Até a manhã de hoje, havia 245 mortos e mais de 100 feridos, dos quais a maior parte era de estudantes em torno dos 20 anos. Pior que esta tragédia, somente o incêndio do Gran Circo Norte-Americano em 1961, em Niterói (RJ), que matou 503 pessoas.

Na Kiss, estavam aproximadamente 1,5 mil pessoas num espaço onde não deveria haver mais de mil, de acordo com os bombeiros. O alvará de funcionamento estava vencido desde agosto de 2012. O resultado foi uma noite de agonia relatada como filme de terror pelos sobreviventes.

“Não tinha como se mexer lá dentro, a casa estava lotada. Foi impressionante ver  as pessoas sendo carregadas como saco de batatas, como se não valessem nada”, disse o estudante de engenharia Mateus Abadi, 21. Uma estudante  afirmou ter escapado por poucos minutos, porque havia saído para fumar um cigarro.

“O pessoal começou a correr e a se pisotear. Chegaram a me falar que havia uma pilha de 2 metros de pessoas amontoadas no banheiro, tentando escapar do fogo que vinha mais baixo”, relatou a jovem, que teve cinco amigos mortos no incêndio.

O desespero era tão grande que, com a fumaça que se espalhava pela boate, as pessoas não conseguiam enxergar e acabaram correndo em direção aos banheiros. Somente nesses espaços, foram resgatados 180 corpos, de acordo com o capitão Edi Paulo Garcia, dos bombeiros. “Tirei mais de 180 pessoas dos banheiros. Eles estavam tentando fugir pelos banheiros”, disse.

Segundo ele, a maioria, aproximadamente 90%, foi morta por asfixia provocada principalmente por gases tóxicos desprendidos pelo material acústico que revestia o teto da boate. Os dois sócios podem responder por homicídio culposo, segundo a polícia. E o número de mortos poderia ser ainda maior se não fosse a solidariedade de quem havia conseguido escapar.

Os sobreviventes usavam a própria roupa como máscara  e se revezavam no uso de marretas para quebrar as paredes da boate, na tentativa de abrir espaço para a saída de quem estava lá dentro, afinal a única porta do estabelecimento, destinada à entrada e à saída, tinha pouco mais de 1,5 m de largura e não havia saída de emergência.

Às 5h30, o fogo foi controlado. Mais de 90 feridos foram conduzidos aos seis hospitais de Santa Maria. Outros 14, em estado grave, foram para Porto Alegre. Os corpos foram conduzidos ao ginásio do Centro Desportivo Municipal. Para o transporte dos corpos, até caminhões de frigoríficos precisaram ser usados.

Fonte: Correio

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