A inadimplência ainda segue muito alta em todo o Brasil. De acordo com dados da Serasa Experian, são aproximadamente 60,5 milhões de brasileiros com o nome sujo, o que representa 40% da população adulta do país. A Bahia está 2% abaixo na média naciona, com 38%. Entre fevereiro de 2017 para o mesmo período neste ano, houve um recuo de 2% no número de devedores na capital baiana, passando de 1.150.952 para 1.127.078. Contudo, o número ainda é considerado alto para especialistas.

De acordo com os dados de fevereiro, a Bahia representa 6,7% dos 60,5 milhões de pessoas endividadas. A maioria destas pessoas ficaram inadimplentes devido a dívidas em bancos e a cartão de créditos (29%). Em segundo lugar está a segmentação “Utilities” (19,1%), que contempla água, luz e gás, seguidos de telefonia (11,8%) e varejo (12,7%).

Na análise do economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a principal variável que afeta a inadimplência é o desemprego. De acordo com os dados mais recentes Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na semana passada, o desemprego está na casa dos 13%.

“No ano passado chegou aos 14%. Ou seja, o desemprego não caiu quase nada. Se não cair mais fortemente, dificilmente essa inadimplência também cai, porque o desemprego é a principal variável. Quem não está empregado não tem dinheiro para pagar nem as contas do dia nem as que estão em atraso”, destacou.

Também no ano passado, o número de devedores chegou a 61 mi. De lá para cá, se mantém oscilando entre 60 e 61 milhões. “Parou de piorar, mas ainda está em um patamar muito elevado, porque o desemprego está muito alto. Na Bahia o número também é preocupante, apesar de estar um pouquinho abaixo da média nacional. Pelo menos, um terço da população baiana está negativada”, revelou.

A média nacional é de 40%. Dois pontos abaixo disto, encontra-se a Bahia, com 38%. Dos 27 estados, a Bahia ocupa o 10º lugar entre os resultados menos piores. No último levantamento, o estado com o maior número de devedores era o Amapá, com 58% de inadimplentes da população adulta. O que ocupava a melhor posição era Santa Catarina, com 34%.

“Não estamos tendo nenhuma piora significativa. [A nível nacional] não está nem subindo, nem caindo. Parou em um nível muito alto. É como se a febre tivesse parado nos 40º. Parou de subir, mas a pessoa ainda está com febre. Não está subindo, mas também não está baixando para passar a febre. O que a gente espera é que a partir de maio o desemprego possa cair um pouco mais e ajudar a reduzir um pouquinho essa inadimplência ainda muito elevada”, exemplificou.

Como evitar sujar e como limpar o nome

A principal orientação do economista Luiz Rabi para quem já possui o nome restrito é que tente negociar com seu credor. De acordo com ele, a pessoa que já está inadimplente, em média, está inadimplente com quatro credores diferentes. Com isso, fica muito difícil que essa pessoa pague à vista todas as dívidas.

“A primeira recomendação, se você não tem condições de pagar todo mundo à vista, é que vá para uma renegociação. Não fique com vergonha. O credor tem todo o interesse em renegociar, porque de alguma forma ele recebe. Tente sentar com o credor, expor sua real situação e ver de que forma consegue quitar aquele débito”, destacou.

Por meio do site Seraxa Experian é possível entrar em contato com o credor e tentar uma renegociação. Por meio do portal chamado Limpa Nome Online, a empresa coloca as partes em contato, para que de alguma forma possam se acertar.

Já para quem conseguiu se manter em dias com as finanças e não comprometeu o nome na praça, a dica é se manter ainda cauteloso. “A economia ainda está em um momento que se precisa ser cuidadoso.Não extrapole na hora de tomar crédito. Saiba a sua real capacidade de pagamento e vá com moderação.‘É Copa do Mundo, quero trocar minha TV’. Não, evite compras por impulso, evite ostentação. O desemprego ainda muito alto, não é ainda o momento ideal para as pessoas se endividarem além da conta. Evite o superendividamento, porque este é uma porta aberta e larga para cair na inadimplência”, aconselhou Luiz Rabi.

Informações da Tribuna da Bahia.

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