A Rússia, que também está desenvolvendo uma vacina contra o novo coronavirus, aguarda o sinal verde para começar a produção e distribuição do imunizante. Para atender aos mercados da América Latina, o país quer firmar acordos com laboratórios do Brasil.

O CEO do Fundo Soberano da Federação Russa, Kirill Dmitriev, que coordenou o desenvolvimento da vacina, confirmou as negociações ao jornal Valor Econômico e disse que se o acordo der certo, grande parte da população brasileira poderá ser já vacinada ainda neste ano.

Dmitriev explicou que a aprovação da Rússia para o começo da produção deve vir em agosto o que resultaria na primeira vacina a receber o aval. Caso consiga firmar acordo com o Brasil, a produção nos laboratórios brasileiros começaria em outubro ou novembro. Segundo o executivo russo, existem conversações tanto com laboratórios do setor público como privado no Brasil, e que o interesse é também fazer testes clínicos e produzir drogas contra a covid-19 no país. Dmitriev não revelou quais laboratórios foram procurados para a parceria.

A Rússia planeja produzir 30 milhões de doses no país e 170 milhões em outros lugares. O Brasil seria responsável pela produção para a América Latina.

O plano da Rússia vai contra as previsões da Organização Mundial da Saúde, que disse que uma vacinação em massa deve ocorrer apenas em 2021 e aponta a vacina testada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, como a mais avançada nos testes. Segundo o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan os processos estão sendo acelerados, mas é preciso garantir segurança, tomar toda precaução para ter resultado seguro. Para a entidade, as pessoas só começarão a ser vacinadas na primeira parte do próximo ano.

Kirill Dmitriev falou da acusação dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá de que a Rússia teria roubado informações sobre as pesquisas de vacinas. Ele chamou de “acusação infeliz” e disse que a acusação acabou jogando positivamente para a Russia, porque vários países descobriram a existência da vacina russa e querem trabalhar no seu desenvolvimento. Ele não citou os países.

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