Médicos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto salvaram a vida de uma estudante de enfermagem, que havia recebido extrema-unção, uma benção com óleo em doentes extremamentes graves, na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Mococa, no interior de São Paulo.

Eles fizeram um transplante inédito de fígado, realizado em meio à pandemia.

Sara Maria Alves Casimiro, de 19 anos, teve alta no último dia 11. Ela passou dois meses na UTI, após a cirurgia, no dia 21 de maio.

A preocupação dos médicos era ela ter sido contaminada pelo novo coronavírus, mas, Sara fez quatro testagens e todas deram negativo.

A jovem preciso de fisioterapia com fonoaudióloga, para exercitar os músculos da deglutição depois de tanto tempo na UTI sem se alimentar por via oral.

Aos poucos, rotina de Sara volta ao normal.

Sucesso 

O professor Sankarankutty diz que, durante a pandemia, houve queda no número de doação de órgãos e, consequentemente, de transplantes.

Essa queda variou de 30% a 70%, dependendo da região do País. Agora a rotina volta a se normalizar gradativamente.

O professor do HC-FMRP, espera realizar este ano de 45 a 50 transplantes de fígado, mesmo patamar do ano passado.

Extrema unção

A cirurgia inédita teve novos protocolos e cuidados para evitar a covid-19.

Ela teve infecção urinária e, como resultado do tratamento, Sara desenvolveu uma hepatite medicamentosa que levou a uma falência hepática.

Desenganada pelos profissionais da Santa Casa de Mococa, ela foi transferida às pressas para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP.

E, imediatamente, encabeçou a lista de espera pelo órgão na fila de transplantes.

“A paciente chegou com o estado geral bastante comprometido. Já não estava mais consciente e precisando até mesmo de suporte de máquinas para respirar.

A piora foi tão acentuada que acreditamos que ela não teria sobrevivido se não tivesse aparecido um órgão para transplante naquele momento”, garante o professor Ajith Kumar Sankarankutty, coordenador do Programa de Transplantes do HC-FMRP e chefe da equipe que realizou o transplante de Sara.

Além de todos os cuidados que uma cirurgia desse porte requer, era preciso pensar em todos os protocolos e procedimentos para evitar a covid-19.

“A princípio, foram os mesmos cuidados adotadas para qualquer cirurgia com reforço dos equipamentos de proteção individual (EPIs) para todos os profissionais envolvidos no cuidado da paciente”, lembra o professor. Mas também foi necessário realizar os testes para covid-19 tanto na paciente quanto no doador falecido. Para alívio de todos, os resultados deram negativo.

SÓ NOTÍCIA BOA

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