O cantor e compositor João Bosco se manifestou nesta quinta-feira (7) contra a menção à canção “O Bêbado e a Equilibrista”, clássico de sua autoria em parceria com Aldir Blanc, no nome da operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (6), que foi batizada “Esperança Equilibrista”. Bosco critica a operação, que resultou na condução coercitiva do reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, e outros professores da instituição, como parte da investigação sobre a construção do Memorial da Anistia. “Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos”, afirmou, em postagem no Facebook. “Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, completa. O compositor ainda contextualiza a operação como um ato de ataque à universidade pública e citou a crise da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). “Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar”.

BN

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