Para o especialista em mensuração de desigualdade de ensino, José Francisco Soares, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que está com a edição de 2020 agenda para os dias 17 e 24 de janeiro, para a versão impressa e 31 de janeiro e 7 de fevereiro no modelo online, vai escancarar novas camadas de desigualdade na educação surgidas durante a pandemia do coronavírus.

Segundo José Francisco, que entre 2014 e 2016 foi presidente do Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pela aplicação do Enem, o exame deste ano prejudicará principalmente os jovens mais vulneráveis no terceiro ano do ensino médio.

Em entrevista a BBC Brasil, Soares explicou que alunos com melhores condições de estudar – por exemplo, os que tiveram segurança alimentar, acesso à internet e às aulas – ou que já tivessem concluído o ensino médio terão mais chance de conseguir vagas em universidades via Enem.

Já os alunos em maior situação de vulnerabilidade ficarão mais distantes do ensino superior e, como consequência, com menos chance de renda maior e de oportunidades melhores de empregos no futuro. Segundo José Francisco Soares, o Enem em si já aponta para as desigualdades no Brasil porque a vantagem dos jovens que estudam em escolas privadas e que têm apoio familiar vai se compondo de tal maneira que, quando chega a hora do Enem, é quase um jogo de carta marcada. Para ele, devido à pandemia de coronavirus, este ano essa realidade será ainda pior.

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