Não estranha que, ao repassar sua própria obra, Zé de Rocha tenha recorrido à palavra “risco”. Autor de trabalhos ocupados pelo violento e o urbano (como os carros destruídos que gravou com carvão), tudo está compreendido pelo vocábulo que designa o traço de seu desenho, mas também o ônus das situações. “Me interesso pelo choque visual e o objetivo era encontrar uma expressão-panorama”, diz, referindo-se ao exercício proposto pelo curso de mestrado em artes visuais da Ufba e que originou os primeiros trabalhos da série Sangue-Ígneo, expostos desta terça-feira (19) até 28 de julho, na galeria RV.

A revisão do material produzido lhe autorizou também um olhar para o quintal de casa, no caso a terra natal Cruz das Almas (a 146 km de Salvador). Dela, Zé extraiu as “espadas de fogo” como instrumento para a pintura – em Correndo Risco, como foi batizada a exposição, é a pólvora que toca a tela. Questão cultural – Em pé, munido de luvas, capacete e bota, ele repetiu sempre o mesmo ritual, lançando a espada em direção à lona, dominando o tempo da combustão. Uma ação que o aproximou dos homens que guerreiam na noite de São João em Cruz das Almas. “Tinha muito de performance. Era como dançar com fogo”, lembra.

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